Era uma tarde quente de verão.

Lilato se abanava.

— Ah, se ao menos chovesse… — disse seu irmão, Mayamiko.
Estava quente demais para deixar as crianças brincarem lá fora.

Ndo-ndo!
Lilato ouviu primeiro.
Parecia uma pedrinha quicando no telhado da casa. Lilato olhou para Mayamiko, mas ele nem a encarou.

Ela foi na pontinha dos pés até a janela e olhou para o céu.
O céu estava cinza, quase preto.

Lilato começou a cantar a música que sua melhor amiga, Mwansa, lhe ensinara:
Wemfula isa isa
Ó chuva, venha
Twangale na mainsa
Pra gente brincar na chuva
Wemfula isa isa
Ó chuva, venha
Twangale na mainsa
Pra gente brincar na chuva

Lilato cantava, esfregando os dedinhos.

Ndo-ndo-ndo-ndo-ndo-ndo!
Mais pingos caíram do céu.

— Maya! Tá chovendo! — gritou Lilato. — Tá chovendo!
Eles correram para fora de casa.

Mamãe já estava colocando baldes ao redor da casa para recolher a água da chuva.

Eles correram para a estrada em frente à casa e se juntaram a outras crianças.

Um coro de “wemfula isa isa, twangale na mainsa” ecoava por todo o bairro.
O céu se abriu e despejou ainda mais chuva, misturando-se à música do dia.


