Certo dia, um coelho saiu de casa para jantar trevo. Mas ele se esqueceu de trancar a porta de sua casa e, enquanto ele estava fora, uma doninha entrou e calmamente se sentiu em casa. Quando o Coelho voltou, lá estava o nariz do Fuinha saindo da porta do próprio Coelho, farejando o ar puro.
O Coelho ficou muito zangado – para um Coelho – e pediu que a Doninha se mudasse. Mas a doninha estava perfeitamente contente. Ela se estabeleceu para sempre.
Um velho e sábio Gato ouviu a disputa e se ofereceu para resolvê-la.

“Aproxime-se de mim”, disse o Gato, “sou muito surdo. Aproxime a boca dos meus ouvidos enquanto me conta os fatos.”
O par desavisado fez o que foi dito e em um instante o Gato tinha os dois sob suas garras. Ninguém poderia negar que a disputa havia sido definitivamente resolvida.
Créditos
Esopo foi um fabulista da Grécia Antiga, célebre pelas suas histórias curtas em que animais ilustram falhas e virtudes humanas. Esta fábula, como muitas outras de Esopo, sobreviveu durante séculos através de tradições orais e reescritas posteriores, e continua a ser uma das mais citadas para alertar sobre os perigos de recorrer a mediadores com interesses próprios.
