Certa manhã, um cordeiro perdido estava bebendo na margem de um riacho na floresta. Naquela mesma manhã, um lobo faminto apareceu rio acima, procurando algo para comer. Ele logo colocou os olhos no Cordeiro. Via de regra, o Sr. Lobo abocanhava esses petiscos deliciosos sem problema nenhum, mas esse Cordeiro parecia tão indefeso e inocente que o Lobo sentiu que deveria ter algum tipo de desculpa para tirar sua vida.
“Como você ousa caminhar no meu riacho e mexer toda a lama!” ele gritou ferozmente. “Você merece ser punido severamente por sua imprudência!”
“Mas, alteza”, respondeu o Cordeiro trêmulo, “não fique com raiva! Não posso turvar a água que você está bebendo lá em cima. Lembre-se, você está rio acima e eu estou rio abaixo.
“Você suja a água sim!” retorquiu o Lobo ferozmente. “E, além disso, ouvi dizer que você mentiu sobre mim no ano passado!”
“Como pude fazer isso?” implorou o Cordeiro. “Se eu só nasci esse ano.”
“Se não foi você, foi seu irmão!”
“Eu não tenho irmãos.”
“Bem, então,” rosnou o Lobo, “foi alguém da sua família de qualquer maneira. Mas não importa quem foi, não pretendo ser dissuadido do meu café da manhã.”
E sem mais palavras o Lobo agarrou o pobre Cordeiro e o levou para a floresta.

Créditos
Esopo foi um fabulista da Grécia Antiga, cujas histórias atravessaram séculos e continuam sendo contadas em todo o mundo. Suas fábulas, transmitidas originalmente de forma oral, são conhecidas por encerrar morais diretas sobre a natureza humana e as dinâmicas de poder. "O Lobo E O Cordeiro" é uma das suas obras mais emblemáticas, frequentemente citada para ilustrar como os poderosos fabricam justificativas para oprimir os mais fracos.
