O Mundo Mágico da Senhorita Helen

Resumo


Senhorita Helen nasceu em Nieu Bethesda, uma pequena cidade no Karoo, e transformou sua solidão em arte e luz. Inspirada por histórias, viagens e pela lua, ela criou um jardim mágico repleto de esculturas de corujas, camelos, sereias e outras criaturas feitas de vidro e cimento. Apesar das dificuldades e da solidão, Helen construiu seu próprio mundo encantado, que até hoje permanece como testemunho de sua imaginação e força criativa.


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Conheça minha amiga Helen. Ela nasceu numa pequena cidade do Karoo chamada Nieu Bethesda. Não havia muita coisa acontecendo nessa cidade. Mas ela criou um mundo inteiro ali. Ela até me criou. E deu o nome da minha casa em homenagem a mim.

Chamava-se “A Casa da Coruja”.

A maioria dos nove irmãos e irmãs de Helen já tinha crescido e ido embora quando ela chegou. Mas ainda lhe restavam as irmãs Annie e Alida.

Helen não tinha muitos amigos na vila, mas isso não a incomodava.

Desde o começo, Helen fazia as coisas de um jeito diferente da maioria das pessoas.

Depois que suas irmãs saíram de casa, Helen morou sozinha com seus pais. Ela amava a mãe, mas odiava o pai. Todo mundo concordava que ele era um homem muito estranho.

Sua irmã mais velha, Alida, viajou o mundo todo. Um dia, ela enviou para Helen um cartão postal do Egito.

Na imaginação de Helen, havia príncipes, pirâmides e camelos na areia.

À medida que foi crescendo, Helen leu mais histórias de lugares distantes. Ela gostava especialmente dos poemas da Pérsia, no Oriente Médio.

Ela sonhava em visitar o oceano algum dia. Mantinha uma concha ao lado da cama e imaginava que podia ouvir o som das ondas dentro dela.

Mas, claro, corujas sempre foram suas coisas favoritas!

Helen amava tanto livros e histórias que decidiu ser professora. E era muito boa nisso. Mas então conheceu Johannes Pienaar. Ele também era professor, além de escritor e ator.

Ele a convenceu a fugir com ele.

Helen e Johannes se casaram. Viajavam por várias cidades, ensinando e apresentando peças. Helen pensava em começar uma família, como suas irmãs tinham feito. Mas isso não aconteceu. Ela e o marido estavam sempre brigando.

Quando a mãe de Helen ficou muito doente, ela decidiu que era hora de voltar para casa.

Helen não estava feliz. A mãe estava muito doente e o pai muito rabugento. Ela se fechava em si mesma. As pessoas achavam que ela era estranha.

Na noite em que sua mãe morreu, Helen deixou uma vela acesa ao lado da cama durante toda a noite.

Com a ajuda daquela pequena luz, Helen não sentiu tanto medo do escuro.

E lembre-se: nós, corujas, estávamos lá também. Vigiando-a, chamando “u-uáu!”

Helen decidiu que queria mais luz na sua vida. Começou mudando o espaço ao seu redor.

Ela precisava de ajudantes. Três homens da vila — Jonas Adams, Piet van der Merwe e Koos Malgas — fizeram as coisas que ela imaginava, usando arame e cimento.

Ela encheu o jardim dos fundos com criaturas interessantes. Havia esfinges, camelos, sereias, gatos. E muitas, muitas corujas! Ela chamou aquele espaço de seu “pátio dos camelos”. No portão, fez uma placa de arame.

Dizia: “Este é o meu mundo”.

Durante o dia, Helen fazia esculturas. À noite, praticava capturar a luz.

Colecionava copos, espelhos, velas e lâmpadas. Tudo que pudesse brilhar.

Colocava lanternas em todos os cômodos. Os espelhos captavam e refletiam a luz. Ela cobriu as paredes com vidros brilhantes para que também pudessem brilhar.

Depois que o pai de Helen morreu, ela ficou com a casa só para ela. Todas as noites dormia em um quarto diferente.

Sempre escolhia o quarto com a melhor vista da lua e das estrelas.

As pessoas de Nieu Bethesda passavam pelo jardim de Helen e admiravam as criaturas que lá estavam.

Algumas crianças da vila traziam garrafas de vidro para as esculturas e a chamavam de “Senhorita Helen”. Ela sempre agradecia dando doces.

Outros não eram tão simpáticos. Chamavam-na de nomes e jogavam pedras no telhado dela.

Senhorita Helen gastava todo o dinheiro com vidro e cimento. Vivia de pão e chá preto.

No seu diário, escreveu: “Na minha solidão, sou feliz.”

O jardim cresceu e cresceu, até quase não haver mais espaço para criaturas.

Senhorita Helen estava cansada. As mãos doíam e estavam rígidas. Seus olhos estavam ficando cegos de tanto trabalhar com pedacinhos de vidro.

Ela não tinha medo de estar sozinha. Mas ainda tinha medo do escuro. E seu mundo estava ficando cada vez mais escuro. Ela sabia que logo não veria mais nada.

Mas quando fechou os olhos pela última vez, Senhorita Helen não viu escuridão. Ela viu o sol, a lua e as estrelas. Viu homens sábios, sereias, camelos, gatos, acrobatas e corujas com olhos grandes e brilhantes de vidro marrom.

E nós ainda estamos aqui hoje, exatamente do jeito que ela nos deixou, no jardim que ela fez, olhando para o leste.


Créditos

Publicado originalmente por Book Dash sob a licença Creative Commons Licensed BY 4.0. Este livro pode ser lido gratuitamente em https://bookdash.org/books/miss-helens-magical-world e foi criado por: Wendy Morison (Illustrator), Tracy Blues (Editor), Nadene Kriel (Designer), Jacqui L’Ange (Writer) Book Dash logo